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Homepage > Categorias > Crônica > Carta aberta: feminismo, sempre
13/04/2017  |  By Daniela Vitor In Crônica, Cultura

Carta aberta: feminismo, sempre

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Caros leitores,

A sociedade coloca como normal aquilo que violenta nossa forma mais livre de ser. Toda mulher tem uma história absurda de assédio ou abuso para contar, infelizmente.

Comigo não seria diferente…

Fui demitida de uma empresa, onde trabalhei por alguns anos, por não aceitar sair para jantar com o chefe. Claro que a história contada não foi essa, até porque eu nem tive coragem de contar sobre isso na época. Minha vida virou um inferno depois do meu “não” e fui desligada. Vida que segue.

Uma vez, fui fazer um exame médico para começar em um trabalho. Desses que a empresa dá o endereço e marca. O médico apalpou meus seios e falou que adoraria que aquela consulta durasse horas. Falei que se ele não parasse, eu gritaria e o consultório estava lotado. Consegui escapar, mas fiquei atordoada, em pânico. Saí dali e chorei por sei lá quanto tempo, até que chegasse meu ônibus para voltar para casa. Não, também nunca tive coragem de contar a ninguém. O que pensariam de mim?

Fui casada com um cara, que me manteve em cárcere privado por três meses. Passei fome. Fora constantes abusos psicológicos, morais, que passei durante um ano. Tempo que durou o casamento, e tempo em que ele já tinha outra e alegava para as pessoas a louca que eu era. E eu sofri, calada. Tive depressão, síndrome do pânico. Autoestima não existia. O cara, um sociopata, continuava seus afazeres sociais e viagens de negócios, como uma pessoa absolutamente normal. Talvez o pior disso tudo tenha sido eu achar que aquilo era amor. Há também o fato de nem passar pela minha cabeça, na época, sobre a falta de amor próprio, sobre estar em um relacionamento abusivo ou algo do tipo. Bizarro.

Eu não sabia. Eu não tinha consciência, não conseguia entender o que acontecia. E sim, cheguei ao ponto de achar que aquilo tudo era de total responsabilidade minha. Isso e todo o resto que já passei nesse sentido. Minha mudança começou com a separação. Foi onde começou minha cura, pela Espiritualidade e autoconhecimento. Mahikari, Terapia Quântica, Psicóloga, Thetahealing, Acupuntura, Reiki, Florais, Constelação Familiar. Muita busca. Muita Espiritualidade. Fui cercada de muitas bênçãos, sempre. Minha família foi meu porto seguro, como sempre. Meus pais foram essenciais, como sempre. Alguns poucos, mas verdadeiros, amigos. Sou imensamente grata por todo apoio. E sou imensamente grata a minha mesma, por tamanha força, coragem e transformação.

Se você não se ama, você não entende. Se você não se conhece, e não se respeita, você permite, e acaba por colocar a sua vida, a sua felicidade, nas mãos do outro. Essa foi a minha responsabilidade. Hoje, não acredito em vitimismo. Creia quando digo que a junção de amor próprio, autoconhecimento e fé, é um dos muitos caminhos para renovar sua vida e fazer de você uma nova e livre pessoa.

Eu só tive coragem de abrir isso para alguém, depois de três anos de terapia. Três anos. Foi quando a psicóloga começou comigo um trabalho lindo de autoperdão. Perdoar o outro foi até tranquilo. Demorei a me perdoar, quando tive consciência de tudo o que permiti que acontecesse comigo. Sim, não denunciar é ser permissiva também. Por isso, hoje, falo: denuncie, sempre!

Quando me perdoei realmente, descobri que poderia ajudar outras mulheres com a minha história. Poderia alertar outras mulheres para que não precisassem passar pelo que passei, escrevendo e falando, que é o que faço de melhor na vida.

Isso me motivou a fazer cursos para ser palestrante, a fim de conscientizar pessoas sobre o feminismo, sobre si mesmas. Falar também cura, você e o outro. Ainda estou engatinhando com as palestras, mas eu chego lá!

Hoje, com a consciência e conhecimento que tenho, denunciaria sem pestanejar. Tive que me perdoar sobre isso também.

Minha tese de mestrado apresenta um viés feminista. Tudo na minha vida sempre terá o viés feminista. Entende agora? Lembre-se: o verdadeiro significado desse movimento remete à igualdade de gêneros, o respeito às mulheres. É um grande equívoco pensar que o feminismo é um massacre aos homens ou a revolta da queima de sutiãs, por exemplo. Se quiser saber referências para mais informações sobre o assunto, acompanhe os próximos textos…

Amor próprio também se ensina, se aprende, acreditem. Coragem se adquire. Empatia é o que me move como ser humano, sempre foi. Juntas somos mais fortes, sempre seremos! E viva o feminismo real e sua luta constante para uma vida mais digna a todAs nós.

É por isso que tomo sim as dores de outra mulher como se fossem as minhas. Grito, como se fossem meus gritos. Porque no fundo, são. Faço o que posso, dentro do meu contexto, para conscientizar a respeito. E quero fazer mais.

E você, o que faz? Reclama da vida ou usa sua experiência para aprender, crescer e de quebra aproveitar para conscientizar e ajudar as pessoas? É sempre uma escolha, pense nisso com carinho.

É isso e é só!

 

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Article by Daniela Vitor

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Comments: 6 replies added

  1. Carla Patricia Fregni 13/04/2017 Responder

    Amigamada, seu texto ajudará muitas leitoras.

    • Daniela Vitor 19/04/2017 Responder

      Assim espero, minha amiga querida! Obrigada e grande beijo!

  2. Jaylei 19/04/2017 Responder

    Sabe, Daniela, vc mesma escreveu: 'Hoje, não acredito em vitimismo." Hoje, depois de "Mahikari, Terapia Quântica, Psicóloga, Thetahealing, Acupuntura, Reiki, Florais, Constelação Familiar. Muita busca. Muita Espiritualidade." Muitas e muitos não têm tanta escolha, pois só fazem por sobreviver. Muitas e muitos sofrem e se dar a mão, raramente, é simples. Sempre acho muito bonito falar de "amor próprio, autoconhecimento e fé", mas quem sofre constrói isso assim, vapyt-vupt, do nada? Não...Normalmente é na cacetada, encarando adversidades, quebrando paradigmas, caindo, levantando, caindo de novo, mas seguindo. Detalhe! Nem sempre vai levar à bencãos... Colocar tudo como vitmismo, o tal "mimimi", e que as escolhas são sempre nossas. É colocar um peso enorme de que tudo não dá certo, pois escolhemos "errado" e com amor próprio, autoconhecimento e fé, parando de reclamar, as escolhas darão certo. Virão resultados bons, afinal, está aprendendo-se e crescendo-se! HUHU! Nem sempre...

    • Daniela Vitor 19/04/2017 Responder

      Cara Jaylei, que bom ter sua contribuição aqui! Minha missão como escritora é mesmo incomodar, tocar o coração das pessoas, seja de que forma for. Não importa se gostam ou não do que escrevo, se tocar o coração, missão cumprida. Veja, é uma carta aberta apenas. Em nenhum momento eu disse que esta é a única forma, mas deixei claro que é a forma que funciona, e funcionou, para mim. E você tem razão quando diz que não é fácil, mas também não é difícil. É possível e isso, para mim, basta. Sobre bênçãos e bons resultados, respeito seu ponto de vista e gostaria que entendesse o meu. Para mim, tudo é bênção. Acordar é bênção, respirar é bênção. Depende muito do olhar de cada um a respeito da mesma coisa, aqui cabe só respeitarmos o olhar uma da outra mesmo. E sobre bons resultados, vale o mesmo. Depois de muitos tropeços na vida, aprendi a ver o lado bom de absolutamente tudo, mas esse é apenas o meu jeito de olhar. Existem milhões de jeitos e respeito todos eles, ok? Gratidão por seu tempo e atenção! Continue acompanhando nosso site. Forte abraço!

  3. Jaylei 20/04/2017 Responder

    CarO Jaylei. :)

    • Daniela Vitor 27/04/2017 Responder

      Desculpe! Abraços, carO Jaylei!

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